PARA NÃO DESAPARECER/ TO NOT DISAPPEAR

 

 

12194943_10207946003792311_2041515056324946956_oOlho para a neve que cobre o meu quintal de branco, apesar do sol e do céu azul, sem nuvens, limpo, como se convidasse a navegar na imensidão e penso nas distâncias. Distância entre uma janela e outra, entre um coração e outro, entre corpos, distância entre sonhos. Vejo a distância entre as coisas, percebo a distância entre as pessoas. Nada é tão perto quando se deseja, nem tão longe quanto se imagina. Continuar lendo

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Ser uma outra mulher / Be another woman

IMG_4555.JPGEla já não tinha mais esperanças de um dia conseguir ser feliz. Desconhecia a felicidade assim como desconhecia os seus mais íntimos desejos. Ficava a olhar pela janela esperando que o sol que se punha atrás das montanhas pudesse indicar algum caminho. Orava todas as noites pedindo para que os ventos afastassem dela tudo o que a impedia de sorrir, pedia aos raios e trovões que a protegessem. Sentia o vento em seu rosto e saia correndo pela tempestade: é preciso sentir a alma sendo lavada! Chorava de felicidade, tristeza, angústia e euforia tudo ao mesmo tempo, porque amava demais… e era amada de menos. Epahei Iansã que apazigua as agonias quando com seus ventos fortes leva para longe tudo o que é possível odiar. Ventos para inovar, criar, mobilizar… Orixá forte capaz de amar como se não houvesse amanhã. Continuar lendo

Os invernos que temos que passar / The winters we have to go through

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Há dois eu já havia começado a minha jornada rumo à Amsterdam, só não tinha sabedoria ou sensibilidade o suficiente para perceber, naquele momento, o que este lugar guardava para mim. Lembro-me dos dias frios e das manhãs rosadas, com a mínima luz e o máximo dos ventos, foi quando comecei a andar de bicicleta no inverno, a comer space cake e a rejeitar alguns muitos programas turísticos. Interessava-me mais pela vida nela mesma. Um ano e meio depois voltei e me reapaixonei. Perdia-me por entre as águas e prédios, encharquei-me na chuva apesar do verão. Brasileirei muitas noites para não me esquecer de onde venho. Descobri uma outra forma de viver, talvez mais leve e também mais segura, porém mais solitária. Naquele momento a solidão ainda era um peso, não suportava as paredes dos meus sonhos e tampouco me permitia destruí-las. Abria a porta e as deixava reinando no espaço que eu deveria dominar. Para conseguir respirar corria por entre folhas verdes sem perceber que estavam lá.

Há sempre alguém para te dizer quem você é, comigo não foi diferente. Continuar lendo

AB NIHILO

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Refletindo sobre as intensidades, creio ter entendido que vivo como Clarice, e sonho como Frida; “aonde não há amor, não te demores”. Hoje mesmo me peguei contemplando as inércias da vida, inércia mesmo, como na física: tudo o que está parado tendo a continuar parado, e o que está em movimento tende a continuar em movimento. São as angústias, as faltas, as insatisfações que nos movem, que nos fazem avançar. Satisfação não faz ninguém sair do lugar, o papel delas é alimentar para poder continuar seguindo em frente. Sou uma eterna insatisfeita, com muito orgulho, porque isso não faz de mim uma pessoa amarga, faz de mim uma apaixonada porque os apaixonados amam o que não tem.  Continuar lendo

Nem tudo é possível nomear

céu estradaVejo em mim evoluções porque passei a não aceitar mais a vida como ela é. Renuncio a tudo que me chega pronto, formatado. Renuncio as normas, regras medíocres de uma realidade hipócrita. Renuncio aos falsos moralismos, aos conservadorismos sem sentido. Renuncio a tudo o que me digam que serei obrigada a fazer porque renuncio a qualquer obrigatoriedade. Não acredito em uma vida com obrigações. Renuncio à minha própria existência se for necessário… renuncio a tudo que me impeça de construir minha própria poesia em cada meu momento a ser vivido. Renuncio a tudo que de alguma forma me faça renunciar minha essência.   Continuar lendo

Sempre gostei do violeta, mas é o vermelho que me transforma

blog-1.jpgA liberdade de um poeta é mais do que uma liberdade qualquer. Quem um dia liberta um poeta será como aquele que um dia abriu a caixa de pandora, libertará almas e todos os sentimentos que ela é capaz de comportar. Libertará o medo, e mais forte que ele a essência do amor pelo mundo, pela vida e tudo o que está muito além daquilo que os olhos alcançam ver. Leio poesia de outras terras, uma poesia tão mundana quanto as minhas memórias, e me recordo dos arrondissements, das estações de metro, dos parques e squares, das rues e boulevards… Ah Paris, tu me manque comme jamais. Entre lembranças dos vividos e dos sonhados, em pura fantasia me (re)vejo caminhando por entre aqueles monumentos em plena primavera. Nada mais encantador do que ver as flores ressurgindo em um dos lugares mais lindos e inspiradores do mundo. Fantasio e penso: quanta poesia, romances e dramas ainda por escrever. Continuar lendo

Um leão por dia

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Eu já desisti de tentar entender. Desisti de me sentir culpada pelo o que não consegui. pelo o que errei. Aceito tudo, inclusive os tropeços, como um presente do universo. Mas só eu sei a saudade que sinto, e sei também que nunca vou poder saciá-la completamente. Só eu sei o controle que tenho para não sair correndo pelo mundo. Só eu sei a dificuldade que é segurar as lágrimas cada vez que penso numa casa que não é minha. Só eu sei o aperto no peito, o nó na garganta quando vejo a distância de onde estaria. Só eu sei os leões que mato por dia, e vou continuar matando porque tudo se transforma, e nada – absolutamente nada – é capaz de arrancar o que é plantado no coração. Continuar lendo

Pela estrada afora

IMG_5341-1-2.jpgAlgumas vezes a vida pode até surpreender com algumas jogadas que esperávamos nunca ter de encarar. Foi assim que me aconteceu agora, algo que foi decidido para mim por alguma instância que vou preferir chamar de destino, isso para não voltar as minhas origens de psicóloga e dizer inconsciente, ou melhor, ato falho (por mais não psicanalista que eu seja).  Continuar lendo

Em busca de sentido

IMG_1695-1.jpgNão sou uma pessoa que se contenta com pouco. Como já dizia Clarice Lispector “não sei viver pela metade”. Sou uma pessoa passional e não muito equilibrada. No fim das contas acho o equilíbrio algo muito chato. Eu até o tenho, mas desafio-o a todo momento. Tão pouco gosto de sofrimentos, mas aprendi a ver poesia onde também há dor. Aprendi que não importa o quê aconteça, se ainda quero viver é porque ainda tenho motivos para sorrir. Aprendi que cabe muito mais amor dentro da gente do que decepções. E mais, cada amor é único, com uma função que lhe é própria. Amar é manter a vida em movimento! Continuar lendo