Irmão de alma

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Dizem que amigos são a família que a vida nos permitiu escolher… mas as vezes não se escolhe quem vai aparecer, apenas pode-se escolher (ou não) quem vai permanecer. Há pessoas que nunca deveriam ter partido, há aquelas que nunca deveriam ter ficado mas encontrar uma maneira de permanecer e na sua permanência fazem a diferença. Amigos mesmo são aqueles permanentes em toda a sua temporalidade porque nem sempre é possível estar por perto, porque nem sempre os assuntos coincidem, porque nem sempre há o que compartilhar; mas sempre haverá o sentimento mútuo de querer reencontrar e construir memórias para compartilhar. Assim foram esses últimos quase nove anos…

São inúmeras as histórias para contar, relembrar, rir… uma noite inteira não bastaria para tanta alegria, mesmo sabendo que amizades longas não se sustentam só com sorrisos. Mais do que o compartilhamento do que há de mais obscuro é a compreensão dessa profundeza – sem que palavras necessitem serem ditas – que faz das relações algo tão forte de forma que a escolha em mantê-la e nutri-la se torna inerente a existência.

O tempo compartilhado se reduz cada vez mais com o tempo que passa. As obrigações tomam conta. Obrigações sem peso, afinal para conquistar é preciso lutar. Para lutar é preciso estar preparado para a luta. Se preparar exige dedicação. Coisas que se aprendem com o tempo vivido, compartilhado com pessoas que fazem a diferença. Fazem tanto a diferença que uma (ou duas, ou três, ou quatro…) cerveja qualquer em um bar qualquer, numa rua qualquer, se transforma em algo tão intenso que será gravado em algum lugar na memória para daqui quase nove anos tomando uma cerveja qualquer, em um bar qualquer, em uma rua qualquer, a gente se relembre esse momento.

– Lembra daquela conversa? Então, depois daquilo que você me disse…

Não foram as cervejas no bar, tão pouco foram as piadas que fizeram daquele momento algo tão importante. O quê faz diferença mesmo é o que se descobre de si a partir da aceitação desse outro. Assim descobre-se que não precisa ser gênio para fazer a diferença. Descobre-se que conversas rasas são perda de tempo e que tempo é valioso demais para ser jogado fora com o que não vale a pena. Descobre-se muralhas e pontes. Descobre-se pedidos e realizações. Desencobre medos e encontra-se carinho e cuidado. Abre-se janelas.

Revelam-se vidas!

E é nessa troca que a amizade se alimenta.

Cada um se basta.

Mas sempre se ensinam… com o outro sempre se aprende mais pois sempre guarda um pouco desse outro em si.

-Você construiu pontes na sua muralha. Eu construí muralhas ao redor das minhas pontes.

Obrigada por aparecer!

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