Acasos

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Ela queria ver alguém, encontrar para poder olhar nos olhos e dizer o quanto havia se tornado importante, o quanto de alguma forma era responsável por toda aquela felicidade que sentia. Não pelos  sorrisos, tão pouco pelos sonhos nos quais insiste em aparecer todas as noites. Ela só queria poder olhar nos olhos para dizer: Você me fez sentir viva de novo!

Houve um tempo em que apesar de todo o fogo que lhe queimava por dentro era incapaz de aquecer a sua própria alma. Houve um tempo em que qualquer lugar, qualquer coisa, qualquer vida lhe parecia melhor do que aquilo que estava lhe acontecendo. O quê acontecia, acontecia em pedaços. Uma vida tão despedaçada que por vezes dedicava todo tempo que tinha a tentar lembrar aonde estavam os seus pedaços. Muitos se perderam… não porque não eram importantes, mas porque tornou-se impossível achá-los. O tempo e a distância se tornaram muito maiores do que a capacidade em se deslocar. Uma vida tão despedaçada que seus “entres” não podiam mais ser preenchidos com esperança.

Há quem ache cicatrizes belas, dessas têm muitas. Não s pode arrancar pedaços sem deixar marcas profundas.

AS fronteiras entre uma vida e outra, entre uma escolha e outra, entre um desejo e outro se tornaram como as estrelas: reconhece algumas constelações, é até possível achar alguma direção, mas é impossível de contar todas e apesar do impossível estão lá, exercendo toda a sua influência, toda sua potência no universo.

Não se via

não via a sua vida

Vivia em pedaços

nada continuava

tudo desmoronava

e sorria… temia… mas continuava a sorrir. O amor que sentia pela vida – apesar de tudo – ainda era muito maior dos que os buracos na sua existência.

Foi assim que começou a jogar entre as suas liberdades e prisões. Não queria mais viver sem paixões mesmo sabendo que que muitas dessas já não faziam mais parte do seu despertar não era nunca capaz de arrancar da pele as sensações de cada memória. Tudo ainda tão forte, tão intenso, tão profundo que fazia parecer fogo vivo, ardente, como a vida tinha que ser. Só foi capaz de reconhecer toda sua desconexão, todo seu vazio quando alguém trouxe o pedaço que lhe faltava para sentir (quase) completa. (Porque a completude mata.)

Mas ainda não he é possível falar de forma clara, e simples, do que acontece no lugar que todos desconhecem e só a mais profunda das sensibilidades é capaz de adentrar: Sorri então para todo encantamento que é capaz de provocar. Sorri para a chama que vê reascender, sorri para todos os riscos de querer juntar os pedaços assim como sorri para cada pequena forma desenhada pelo encaixe daquilo que ainda estava separado. Sorri com toda doçura no olhar de contemplação por ver que não existe a menor possibilidade de conseguir expressar toda a imensidão que está sentindo senão dançando.

E então se perde dentro desse imenso em si mesma porque entende que entre lágrimas e sorrisos a vida acontece e pessoas fazem história!

ENGLISH:

She wanted to see this somebody, find him to be able to look into his eyes and tell him how important he had become, how much somehow he was responsible for all the happiness she felt. Neither for his smiles nor for the dreams in which he insists on appearing every night, not even for the feelings that – most likely unintentionally – he ended up seeding, cultivating. She just wanted to be able to look into his eyes to say: You make me feel alive!

There was a time when despite of all the fire burning inside, she was unable to warm her own soul. There was a time when any place, anything, any life seemed to be better than what was happening to her. What happened, happened in pieces. A life so shattered that she used to dedicated all her time trying to remember where her pieces were. Many pieces were lost … not because they were not important, but because it became impossible to find them. Time and distance have become much bigger than the ability to move. A life so shattered that its “in-betweens” could no longer be filled with hope.

There are those who find scars beautiful, of these have many. You can not tear away pieces without leaving deep marks.

The boundaries between one life and another, between one choice and another, between one desire and another have become like the stars: it´s possible to recognize some constellations, it is even possible to find some direction, but it is impossible to count all of the stars and despite the impossible they are there, exercising all its influence, all its power in the universe.

Didn’t see oneself

not see the own life.

Living in pieces

nothing was keep going

Everything was collapsing

and smile … feared … but kept to smile. The love felt for life – despite of all – was still far greater than the holes in his existence.

That was how she began to play among her freedoms and prisons. No longer wanted to live without passions; even though many of those were no longer part of her awakening she was not able to tear away from her skin the sensations of each memory. Everything still so strong, so intense, so deep that looked like burning fire, flaming, as life had to be. She was only able to recognize all her disconnection, all of her emptiness, when someone brought her the piece that was missing to feel (almost) complete. (Because completeness kills.)

But it is not yet possible to speak clearly and simple about what happens in the place that everyone does not know and only the deepest of sensibilities is able to enter: Smile then for all the enchantment that it is capable of provoking. Smile at the flame that relights, smile to all the risks of wanting to join the pieces as well as smile to each small shape drawn by the fitting of what was still separated. Smile sweetly into the look of contemplation by seeing that there is no possibility of expressing all the immensity that is feeling, except by dancing.

And then gets lost inside that immensity inside because understands that between tears and smiles life happens and people make history!

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