CUIDADO!!! / WATCH OUT!!!

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Ela olhava pela janela e apesar de ser dia, não era capaz de ver a luz. Tudo se tornou escuro – obscuro – demais. As flores já não tinham mais cheiro e já não sentia mais as águas do riacho escorrendo por entre os dedos do pé. Água límpida, cristalina, com pedras cinzas no fundo. Colecionava pedras… dizem que as flores se vão mas as pedras ficam! E o bruto se torna belo por resistir ao tempo e guardar em si as memórias de tudo o que atravessa a sua alma naquele momento em que enfiou a mão na água e escolheu uma, ou duas, pedras para a sua coleção.

O peso da vida se tornou maior do que era capaz de suportar. Todas as manhãs digladiava com seus sonhos e suas vontades sem energia sequer para abrir os olhos, quem dirá sair da cama. Tudo lhe era alheio demais; era como se vivesse o não real, a não vida. Lembrava dos momentos em que a dor, o sangue, a faziam sentir viva.

Todos tem o seu porque.

Todos são conectados pelo amor, pelo tempo… e pela morte.

Ela amou! Amou tão intensamente que já não se reconhecia mais sem o outro. Amou tão intensamente que não amar definitivamente não era uma possibilidade. Negava que o  que pouco à pouco parecia se tornar real. Os dias passaram, os sonhos passaram, os desejos passaram, o sorriso passou… o tempo foi embora e levou consigo a vontade de ter mais tempo pela frente.

Foi assim que uma parte dela morreu por dentro. Foi morrendo – matando – que entendeu que a hora chegava; o luto por seus sonhos não podia mais continuar. Então chorou tudo o que seu corpo era capaz de fazer chorar e tirou dos ombros o peso em aceitar o que não conseguia mais engolir. Se desfez em pedaços para aprender quem era, para aprender a escolher por ela… só por ela. Afinal já não sabia mais aonde acabava seu corpo e aonde começava o olhar do outro.

As folhas das árvores caíram,

O céu se pintou de cinza,

as ruas se cobriram de branco.

Até que o vento levou para longe todas as suas dores. O vento era forte, mas o corpo não esquece do que viveu e lhe grita em desespero: CUIDADO!

Nunca foi muito boa em interpretar esses sinais, sempre confundiu com o medo em continuar. Mas dessa vez não queria largar tudo e voltar para trás. Caiu, levantou e seguiu! Aprendeu finalmente o que cuidado queria dizer: Cuidar é se envolver, é respeitar e valorizar. É saber o que faz diferença, o que transforma. É saber o que faz a pessoa melhor, a vida melhor.

Negligenciar é não ver as diferenças, não reconhecer. É tudo ser igual e nada mais ser capaz de tocar, emocionar, transformar… afetar. É o cuidado que torna a vida bela, e ela é feita daquilo – daqueles – que se escolhe cuidar. Cuidado com os momentos, com as experiências, cuidado com as escolhas. Querer cuidado é saber que vale a pena.

O cuidado é sutil, delicado, talvez quase imperceptível.

Cuidado é detalhe!

ENGLISH:

She looked out of the window and although it was day, she could not see the light. Everything became dark – obscure – too much. The flowers no longer had a smell and she could no longer feel the rill flowing through her toes. Clear water, crystalline, with gray stones in the bottom. She collected stones … they say the flowers go away but the stones stay! And the brute becomes beautiful by resisting time and keeping in itself the memories of everything that crosses its soul at that moment when dip the hands into the water and chose one, or two, stones to the collection.

The weight of life became unbearable. Every morning struggling dreams and desires without energy to open the eyes,let alone to get out of bed. Everything was too foreign, it was like living the non-real, the non-life. Remembering the moments when the pain, the blood, made her feel alive.

Everyone got their reasons.

Everybody are connected by love, by time … and by death.

She loved! She loved so intensely that she could no longer recognize herself without the other. She loved so intensely that not loving definitely was not a possibility. She denied what little by little seemed to become real. The days passed, the dreams passed, the desires passed, the smile passed … Time went away and took the desire to have more time ahead.

That’s how a part of herself died inside. It was by dying – killing – that she understood that time was about to come; the mourning for her dreams could no longer continue. Then she cried all that her body was capable of crying, and took from her shoulders the weight of accepting what she could no longer swallow. Broke herself apart to learn who she was, to learn to choose for herself … only for herself. After all, she no longer knew where her body ended and where the other’s stare began.

The leaves fell from the trees,

The sky painted itself in gray,

The streets were covered with white.

Up until the wind took to far away all her pains. The wind was strong, however body does not forget what has lived in and screams to it in despair: WATCH OUT!

She was never very good at interpreting these signs, always confusing with the fear of continuing. But this time did not want to drop everything and move backward. Fell down, raised up, and kept going! Finally learned what caring meant: Caring is to get involved, to respect and appreciate. It is knowing what makes the difference, what transforms. It is knowing what makes the other better, the life better.

Neglecting is not to see the differences, not recognizing. It’s all being the same and nothing else being able to touch, thrill, transform … affect. Caring turns life beautiful, and life is made of what – of those – one chooses to care for. Beware of the moments, of the experiences, be careful with the choices. The wishe for care is knowing that it’s worth it.

Caring is subtle, delicate, perhaps almost imperceptible.

Caring is detail!

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2 comentários sobre “CUIDADO!!! / WATCH OUT!!!

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