PARA NÃO DESAPARECER/ TO NOT DISAPPEAR

 

 

12194943_10207946003792311_2041515056324946956_oOlho para a neve que cobre o meu quintal de branco, apesar do sol e do céu azul, sem nuvens, limpo, como se convidasse a navegar na imensidão e penso nas distâncias. Distância entre uma janela e outra, entre um coração e outro, entre corpos, distância entre sonhos. Vejo a distância entre as coisas, percebo a distância entre as pessoas. Nada é tão perto quando se deseja, nem tão longe quanto se imagina.

Penso no que distancia as pessoas. Alguém sentado ao lado, alguém que dorme ao seu lado, mais distante do que outro alguém em um outro país qualquer. Penso nas distâncias entre as palavras que são ditas e aquelas engolidas sem nem um trago do álcool mais forte para ajudar a descer, distância entre as traduções de uma vida para outra, entre as interpretações do que cada um é capaz de perceber. Pontos de vista sobre o mundo, opostos, próximos, distintos. Distância entre mundos, realidades… histórias de pessoas que cresceram juntas, lado à lado, mas se afastaram. A distância é irrefutável quando pouco – ou nada – se têm para compartilhar. Pessoas que talvez a vida nunca permitiria que se conhecessem, mas de tão distante que foram de suas origens, foram presenteados e seus caminhos se cruzaram.

O longe se faz perto, e o que estava perto já não existe mais.

Distância entre olhares que se escondem por detrás de sorrisos tímidos. Distância das memórias de uma vida já não mais possível, e nem por isso vivida com menos alegria ou recordada com menos emoção, só ficou para trás… lugar para tudo o que não cabe mais. Assim tento entender a distância do que é real e daquilo que vejo. Há algo nesse entre que transforma as coisas, e as pessoas. Eu já não sou eu e o outro tão pouco é ele mesmo. Não existe o nós… apenas somos capazes de criar alguns pontos de encontro.

Distância do que já fui

do que já fiz

do que um dia eu quiz.

Aquilo que está entre o que foi feito e o que se desistiu de fazer. Dois passos podem não ser nada, mas se tornam muito quando te levam numa direção supostamente errada. mas quem disse que a vida tem alguma direção? Ninguém diz, apesar de todos apontarem. Ninguém sabe para aonde vai, mas todos querem dizer ao outro aonde esse outro deve ir. Distância entre o que se diz e o que se faz. Entre o desejar e o saciar. Entre o viver e o existir. Distância entre todas as possíveis formas de ser. Distância entre o novo e o que se repete. repito comportamentos, roupas, comentários, histórias. Repito sonhos.

Distância entre o ganhar e o perder, entre se permitir e fechar os olhos para não ver. Entre se permitir perder mais do que ganhar porque sempre perdemos mais do que ganhamos. Mas a vida pode ser muito generosa com quem resolve correr atrás de seus próprios sonhos.

 ENGLISH: 

 I take a look to the snow that covers my backyard in white, despite the sun and the blue sky, cloudless, clean, as if it invites me to navigate into the vastness and then I think of the distances. Distance between one window and another, between one heart and other, between bodies, distance between dreams. I see the distance between things, I perceive the distance between people. Nothing is so close as you wish, not as far as you can imagine.

 I think about what separates people. Someone sitting next, someone sleeping next, more distant than someone else in any other country. I think of the distances between words that are spoken and those swallowed without even a drink of the strongest alcohol to help bring down, distance between translations from one life to another, between interpretations of what each one is able to perceive. Views of the world, opposites, close, different. Distance between worlds, realities …Stories of people who grew up together, side by side, but moved away. The distance is irrefutable when little – or nothing – we have to share. People who perhaps life would never allow them to know each other, but from so far away that they were from their origins, were gifted and their paths intersected.

 The far away is close, and what was near no longer exists.

Distance between looks that hide behind shy smiles. Distances of the memories of a life which is no longer possible, although wasn´t lived with less joy or remembered with less emotion because of it, just left behind… place for everything that does not fit anymore. So I try to understand the distance from what is real and from what I see. There is something about it that transforms things, and people. I am no longer myself and the other is no more himself. There is no we… we are only able to create some meeting points.

 Distance from what I was.

 Of what I’ve already done.

 Of what one day I wished.

That thing which is between what was done and what was gave up. Two steps may be nothing, but they become a lot when they take you in a supposedly wrong direction. But who said life has any direction? No one says, though everyone points. No one knows where to go to, but everyone wants to tell the other where that other one should go. Distance between what is said and what is done. Between the desire and the satiation. Between living and existing. Distance between all possible ways of being. Distance between the new and what become repetition. I repeat behaviors, clothes, comments, stories. I repeat dreams.

The distance between winning and losing, between allowing oneself and closing your eyes to not see. Between allowing ourselves to lose more than winning because we always lose more than we earn. But life can be very generous with those who decide to chase their own dreams.

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