Nem tudo é possível nomear

céu estradaVejo em mim evoluções porque passei a não aceitar mais a vida como ela é. Renuncio a tudo que me chega pronto, formatado. Renuncio as normas, regras medíocres de uma realidade hipócrita. Renuncio aos falsos moralismos, aos conservadorismos sem sentido. Renuncio a tudo o que me digam que serei obrigada a fazer porque renuncio a qualquer obrigatoriedade. Não acredito em uma vida com obrigações. Renuncio à minha própria existência se for necessário… renuncio a tudo que me impeça de construir minha própria poesia em cada meu momento a ser vivido. Renuncio a tudo que de alguma forma me faça renunciar minha essência.  Faço porque sinto que tenho que fazer, mas também sinto que tudo o que vivo me escapa. Insisto, porque sei que vai acabar – tudo acaba – e por saber fico triste. Então como Clarice aceito os tormentos da vida e quero extrair de cada instante o perfume mais puro do que me faz viva.

Já vivi histórias de bastidores e entrelinhas, e não sei se essas histórias ainda continuam sendo escritas, mesmo que ainda queimem dentro de mim como uma fogueira digna de Joana D’arc num desejo permanente de manter acesa a chama da dúvida: serão um dia o capítulo principal? Certezas me cansam. Certezas ocupam espaço demais e eu preciso do vazio, do possível. As emoções impregnam na carne e é por isso que luto para vencer todas as dores do corpo, não para dominar afetos, mas para suportar ser afetada ainda vez mais por emoções ainda mais intensas, densas, que nem a carne não seja capaz de suportar.

Só não renuncio ao tempo da espera. Aprendi a esperar pelo momento de viver cada coisa, aprendi que sonhos precisam de tempo para se materializar. Mesmo que a espera me seja dolorosa, aprendi a aceitar a dor e a angústia de ver o tempo passar assim como aceito a liberdade de ser quem eu sou com todo o peso da lealdade ao que desejo, e necessito, viver. Sendo humana e me agarrando a esperanças, como não amar a mais leve liberdade dos pássaros? Eles não têm mãos porque não precisam se agarrar à nada. Suas asas os levam para aonde devem estar.

Mas quando um lugar não tem mais nada a oferecer, é hora de seguir adiante! Seguirei com lágrimas encharcando a alma por saber que muitas coisas ficarão para trás. É  preciso abandonar para poder continuar a crescer… Quis chorar sim, quis chorar por todos os limites e paradoxos que transformações nos impõem. Permitir se transformar é como desejar um abismo sob os pés e acreditar que não importa o quê aconteça, vai sobreviver. É aceitar as pequenas mortes para que algo maior possa nascer.

 

 

 

 

 

 

 

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