Um leão por dia

2013-04-24 23.40.58-1

Eu já desisti de tentar entender. Desisti de me sentir culpada pelo o que não consegui. pelo o que errei. Aceito tudo, inclusive os tropeços, como um presente do universo. Mas só eu sei a saudade que sinto, e sei também que nunca vou poder saciá-la completamente. Só eu sei o controle que tenho para não sair correndo pelo mundo. Só eu sei a dificuldade que é segurar as lágrimas cada vez que penso numa casa que não é minha. Só eu sei o aperto no peito, o nó na garganta quando vejo a distância de onde estaria. Só eu sei os leões que mato por dia, e vou continuar matando porque tudo se transforma, e nada – absolutamente nada – é capaz de arrancar o que é plantado no coração.

Suporto tudo isso sim, mesmo sabendo que tudo acaba, como acabou. Mas todos os sacrifícios são válidos quando se colhe flores no final. A única coisa capaz de estragar tamanha beleza seria perceber que nada passou de uma brincadeira. Brincar com o meu coração, isso eu não suportaria. Mas ainda creio que o mundo não seria tão cruel assim. Desespero é a sensação que aparece quando o futuro não é avistado em algum lugar para além de onde se está. A vingança dos sonhadores é cortar a realidade com a navalha da fantasia. Não disse mentira. Disse fantasia. A mentira crê-se verdade enquanto a fantasia sabe não existir, inventou o “e se…” até a realidade gritar “e se… NADA! A coisa é, e basta!”

Não gosto de ser real, preferiria ser como o arco-íris; reflexos de cores que rasgam os céus bem ao longe, no fim do horizonte. Todos vêem, mas ninguém toca. Ninguém! Ele acaba alimentando a ilusão do pote de ouro, porque se não há um além possível, o desespero se instala. Sou a encarnação do desespero. Se não sabe para aonde vai continue em linha reta. Nunca sei para aonde vou. Quero ir para todos os lugares que possam de alguma forma me fazer sorrir. Se não tem diversão, paixão, eu não quero. Sou dramática assim mesmo, não suporto comédias românticas e rotinas ordinárias. Gosto do drama porque ele move o mundo.

Muito do que vemos não existe, desfez-se como castelos feitos de areia. Assim são as estrelas no céu, poeira cósmica, resquícios do que um dia foi e nunca mais voltará a ser. Nada mais têm-se a fazer quando se abandona as estrelas no céu. Elas continuarão a brilhar, sozinhas, mesmo sem ninguém para contemplar a singela delicadeza de não existir mais. Espero que ainda existam muitos os que possam contemplá-las, seria desperdício demais de pura poesia se assim não fosse. Dizem que a esperança é a última que morre. Eu nem sei se um dia cheguei a ter, apesar de estar sempre esperando alguma coisa. Espero pelo o que nunca vem. Tenho nada senão amor demais dentro de mim. Amor pela vida que tenho e pela vida que nunca foi minha. Por tudo o que quis e não tive. São pelos nãos que me construí.

Ainda sinto o gosto das mentiras que escolhi acreditar por fazerem o meu mundo falsamente mais bonito. A ilusão é assim mesmo, vemos como gostaríamos que fosse mesmo sabendo que não é. Acreditei sim, e não me arrependo nem por um segundo. Mesmo que o escolhido faça meu coração sangrar. Não quero apenas uma casa, quero um lar que abrigue minha alma dramática e meu sorriso mais infantil.

E do meu ventre serão muitas as vidas que não nascerão por estas só existirem em sonhos. Alguns deles só servem para serem sonhados.

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