Por tudo o que não fica para trás

00047-1Eu queria fazer alguma coisa. No desejo de fazer alguma coisa tentei fazer várias coisas. Na tentativa de fazer várias coisas eu consegui fazer nada. Na frustração do nada conseguir eu não desisti. No não desistir eu segui, e sigo, tentando ainda fazer alguma coisa. 

As vezes pensamos que nossas tentativas são em vão,mas, a única coisa que se pode perder é a vida. A perdemos quando não atravessamos as portas que se abrem. A perdemos quando não sorrimos, mas também perdemos quando não choramos. Perdemos a vida quando não criamos mais vida. E somos sim capazes de criá-la em terra seca de corações áridos ou em tempestuosos alagados de olhos obscurecidos. A vida é capaz de recriar-se nas lacunas dos medos, das promessas indevidas, das perdas e das despedidas. Hoje me despeço dos lamentos pois também perde-se a vida no lamentar.

Vivo perguntas fortes, intensas, profundas… sem respostas… Ainda ouso continuar perguntando, e nem sei porque. Vivamos as experiências para nos livrarmos de nossos fantasmas. Melhor correr o risco de ser feliz do que viver assombrado pelo o que poderia ter sido e nunca foi. Afinal, a vida cambaleia entre se tornar quem se é e se perder entre quem gostaria de se tornar. Experimentação de uma liberdade que não existe, de uma autonomia ordinária, de uma felicidade mesquinha. Escolher faz parte. Escolho por coisas coisas que me deixam curiosa. Escolho por coisas que me impulsionam a  renúncia de tantas outras. Eis a legitimidade da escolha: por tudo há um preço a pagar.

É  preciso não se contentar. A segurança é o mais caro, e eficiente, utensílio de luxo cortador de asas dos anjos que ainda não subiram aos céus. Onde estamos seguros, nada acontece. Onde estamos seguros, o mundo não se revela, não se desvela, não se afeta. Nada está completamente a mostra. Eu não me mostro, você não me vê. Nós nos desconhecemos… Somos espelhos, e no espaço entre a imagem e a realidade, entre eu e você, não sou capaz de ver a sua inteireza. Nem eu sei dizer se sou, estou, inteira. A alma se despedaça nessa coisa de caminhar pelos dias.

É  no desassossego que se plantam sabedorias.

O que você sente sobre o que vê, ouve, lê, vive, pensa ?

O que a gente vive não se apaga.

Ainda tenho a memória fresca de momentos que não voltam mais. Preciso de uma serenidade que não cabe em mim para aprender a sorrir diante das imposições da vida, só por sentir o vento e ver o céu estrelado com a certeza de que existem simples instantes que se eternizam na carne. Toda saudade que sinto é compensada pela gratidão do que foi plantado, pelo desfrute do que é colhido. É assim que me perco entre sonhos e fantasias.

 

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