Em busca de sentido

IMG_1695-1.jpgNão sou uma pessoa que se contenta com pouco. Como já dizia Clarice Lispector “não sei viver pela metade”. Sou uma pessoa passional e não muito equilibrada. No fim das contas acho o equilíbrio algo muito chato. Eu até o tenho, mas desafio-o a todo momento. Tão pouco gosto de sofrimentos, mas aprendi a ver poesia onde também há dor. Aprendi que não importa o quê aconteça, se ainda quero viver é porque ainda tenho motivos para sorrir. Aprendi que cabe muito mais amor dentro da gente do que decepções. E mais, cada amor é único, com uma função que lhe é própria. Amar é manter a vida em movimento!

Até alguns dias atrás cheguei a pensar a vida me tornou pesada demais e que nenhum coração seria capaz de carregar tanta angústia. Por onde olhava só via solidão. Cheguei a pensar em mudar mais uma vez, seguindo minha antiga lógica de que quando não há mais motivos para ficar não há o quê fazer senão partir. Mas. o que fazer quando também não há motivos suficiente para partir? Eis que surge o buraco do “entre”, aquele estado que não é nem uma coisa nem outra, mas onde se está não há nada além do vazio.

Cheguei a arquitetar uma pequena mudança, uma pequena distância, porque no fundo minha alma não suportará ir longe demais. Não ainda…

Foi nesse momento turbulento sem saber para aonde ir que voltei para minhas raízes, mesmo que por pouquíssimo tempo, e entendi que família não é só aquela em que nascemos. Bonito mesmo é ter coragem para escolher de quais famílias você quer fazer parte. E nesse caso escolher uma não implica em excluir a outra. Há amor para todas, porque cada uma te suportará em certo momento da tua jornada.

Sábias foram as palavras de uma tia, que só agora descobri que um dia já quis ser freira. Santa ela já é, e não precisa de nenhum convento para comprovar. Mas feliz fiquei mesmo quando me contou que se divertia entre berimbaus num passado já longíquo. E como nunca é tarde para recomeçar, espero que quando nos reencontrarmos possamos jogar um pouco juntas. Dentro todas as conversas, as histórias e descobertas, o que me marcou mesmo foi quando ela me disse: “Na nossa idade não existe mais certo ou errado. Existem as consequências de nossos atos”. Talvez eu não tenha entendido com a mesma sabedoria. Talvez ainda me faltem anos de experiência para chegar lá. Mas é preciso viver. E para viver não há tempo para se lamentar. Foi vendo a solidão estampada em algumas faces, vendo a frustração em alguns olhares e não ouvindo muitas palavras doces que pensei: eu não posso correr o risco de entrar nesse rio de águas lamurientas.

Eu aprendi a amar tanto que muitas vezes não sei o quê fazer com tanto amor. Nem todos são capazes de perceber, de entender que só isso é capaz de nos dar algum sentido. Que seja amor pelo outro, amor por uma causa ou que seja amor pelas marcas que se deixa pelo mundo. Se não é para amar não há nenhum sentido que justifique o estar aqui. Estamos nesse mundo para nos construir, mas só podemos fazê-lo vivendo as experiências que a existência nos permite atravessar.

Essa coisa de não viver a vida ainda vai acabar nos matando.

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