Um pouco mais de amor por favor

IMG_1368Escolhi mudar de vida temporariamente e agora falta exatamente um mês para voltar para o Brasil e para a vida que deixei por lá, ou para transformá-la. Os últimos acontecimentos no mundo me fazem questionar sobre a vida que quero para mim. Rompimento de barragem com vazamento de resíduos tóxicos, destruição de cidades, morte de um rio, de pessoas e vários animais; atentados terroristas pelo mundo afora, guerras e mais guerras por tudo e por todos os lados. Esse não parece nada com um mundo onde a felicidade possa florescer.

Essa disputa desenfrada pelo poder, pelo dinheiro e pelo controle não deixa espaço nenhum para qualquer amor, paz de espírito e bem estar. Isso me faz lembrar meus tempos na França ainda, em que observada o desespero de muitos parisienses pelas coisas que “fazem bem”. Estavam tão desesperados por algum bem-estar que demorei a entender que na verdade era porque eles nunca estavam bem. Estavam sempre tão mal por dentro que buscavam fora qualquer coisa que prometesse preencher, mesmo que só um pouquinho, todo o vazio de dentro, vazio da alma. E como um pensamento leva a outro isso me fez pensar nos tão procurados serviços de coachs. Vejo tantos cursos e programas falando sobre empreendedorismo, marketing, inovação, como investir, como ficar rico, como encontrar sua missão de vida. Mas será que essa tão buscada missão se resume a só isso? com o quê e como trabalhar?

Vejo muitas vezes artigos e depoimentos falando das vantagens de se trabalhar em casa em seu próprio negócio, principalmente quando o público-alvo são mulheres com filhos. Mas ficar em casa para fazer o quê? Amar os filhos, passar mais tempo com eles, vê-los crescer, claro! A resposta parece ser óbvia, mas a prática não é tão evidente assim. Todos queremos a tão sonhada independência financeira, e muitas outras mais. Só que aqueles que não lutaram para ser livres, quando lhes é dada a liberdade, no fim das contas não sabem o quê fazer com isso. Lutam por um trabalho significativo, por uma vida melhor e por mais tempo para desfrutá-la, mas conseguem mesmo aproveitar tudo isso? Que fique claro, não é uma crítica, estou mesmo perguntando. Porque vejo que existem muitos livros contando relatos de inúmeros fracassos antes de se tornar alguém bem-sucedido. Quantos grandes empresários quebraram antes de se consolidarem em seus negócios? Mas será que essa fórmula também se aplica aos amores? Aos amigos? A família? ter seu próprio negocio, dinheiro e mais tempo basta para ser mais feliz?

Concordo com todo o trabalho ao qual tantas pessoas se dedicaram para desenvolver o empreendedorismo, isso foi  – é – feito de forma extremamente eficiente. Houve a necessidade de ajudar pessoas a encontrarem trabalhos mais significativos, algo que não fosse só para pagar as contas no final do mês, mas algo que deixasse a sua marca no mundo e ainda ter uma vida mais confortável. Reconheço todo o valor e importância disso.

Mas esses tempos andei lembrando de quando ainda era aspirante a psicóloga e resolvi fazer um exercício de orientação profissional com meu irmão, na época aspirante a vestibulando. Pedi para ele listar as dez coisas mais importantes para ele. Na lista tinham ítens como dormir, dinheiro, comer, dentre outras que não me lembro. Fiquei tão assustada com a objetividade das respostas –  e mais ainda com as justificativas –  que não me contive em perguntar: Não é importante ter amigos? família? Nada sobre qualquer sentimento? A resposta não poderia ter sido mais cartesiana: “Você não falou para listar as coisas emocionalmente importantes.” Fiquei chocada! Esse episódio ficou adormecido muitos anos em minha memória só que agora resolveu se fazer muito presente. Essa lembrança alimenta a minha reflexão sobre como estamos escolhendo ficar mais ricos do que ser mais felizes.

Eu sei que este é um assunto clichê, como já diria Julyen Hamilton, só é clichê porque é verdade! E verdades precisam serem ditas!

Um exemplo: Eu, artista que sou, nos últimos tempos venho lendo muito sobre empreendedorismo, marketing, economia, inovação e todos assuntos relacionados. Até que comecei a me dar conta que assino muito mais newsletters sobre esses assuntos do que sobre dança, artes, Filosofia ou Psicologia, minhas potenciais áreas de atuação e grandes paixões. Quando entrava em um estúdio para ensaiar percebia que algo faltava em meu corpo, em meus pensamentos, faltava mais sentimento. Então com muito cuidado escolhi deixar o plano de criar riqueza um pouco mais em segundo plano. Escolhi investir meu tempo e energia em quem realmente quero ser, em ter condições de realizar o trabalho que sonho em realizar me tornando mais do que a profissional que idealizei, mas o tipo de pessoa que admiro. Porque ao invés de falarmos tanto em produtividade não falamos um pouco mais de poesia?

Entendo que houve um momento em que tudo isso foi necessário. Acho que essa necessidade está sendo muito bem suprida. Mas também acho que o mundo muda, com ele as pessoas, suas vidas e de que precisam. Talvez seja um pouco mais de sensibilidade que a vida espera de nós!

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