Actions makes future

ITI-2Sou feita das minhas vitórias, mas também das minhas derrotas, dos meus sonhos e dos meus medos, de todos os encontros e desencontros. Tudo e todos que passaram pela minha vida foram fundamentais para que eu seja quem sou e esteja onde estou. Me basta continuar caminhando… afinal precisamos de sonhos para acordar, de vontade para levantar, mas a vida é o quê a gente faz agora!

Já faz um tempo que me tornei membro do comitê de dança do Instituto Internacional de teatro que é uma ONG apoiada pela Unesco.

Foi completamente por acaso que fui parar lá (Se é que acasos existem…) Para resumir: Pelas minhas andanças conheci uma italiana durante um festival numa cidadezinha muito charmosa do interior da França chamada Poitiers. Como sempre gostei de conhecer pessoas, dediquei um tempo à descobrir quem seria ela. Conversa vai, conversa vem e ela me conta que passaria uns dias em Paris para participar de uma cerimônia em comemoração ao Dia Internacional da Dança à ser realizada na sede da Unesco. Sou bailarina, mas não muito de cerimônias. Acho que a dança deve se festejar dançando… mas fiquei curiosa. Muito oferecida que sou, disse que também queria participar. Ela ficou hospedada em minha casa, e eu fui convidada para a festa após as formalidades.

Na época ainda não conseguia entender do quê se tratava aquilo tudo. Apenas me diverti em conhecer pessoas que vieram de diferentes lugares do mundo. Inclusive a Anne Teresa de Keersmaeker. Eu era muito ingênua para entender a relevância daquele encontro.

A festa acabou, e como sempre digo: só nos encontros que alguma coisa significativa pode acontecer. Então de um primeiro encontro em um festival, seguido de um reencontro para uma cerimônia, sucederam-se  outros, em muitos outros lugares, com muitas outras pessoas e todos os seus desdobramentos. Mais uma vez me ofereci para participar como artista de um projeto que aconteceria durante um congresso na China.

Não sabia congresso do quê ao certo. Só sabia que era organizado pelo tal Instituto que fez a tal cerimônia. Também não sabia direito como funcionaria. Só sabia que estava indo para participar – primeiro como bailarina, para só depois descobrir que estava lá como coreógrafa – de uma performance para o fechamento do tal congresso. Experiência esta que foi devidamente registrada em me diário de viagens:

“Peace in two minutes” 

Cheguei aqui para dançar, e de repente me vejo diante de não sei quantos bailarinos chineses com o detalhe que nenhum fala outra língua, e temos uma única interprete para mais de trinta pessoas, e o diretor do projeto me pergunta:

  • “De quantos bailarinos precisa?”
  • Ahn?
  • “De quantos bailarinos precisa para fazer a sua coreografia? Escolha com quem quer trabalhar e pode começar.” 

Já não bastava andar meio mundo para chegar aqui, a minha cabeça deu volta o resto.

  • Ok, sete bailarinos! (Que não demoraram a virar dez.) 

Eu tinha uma pequena criação de um solo, de pouco menos de dois minutos, que poderia ser usado como material para outras criações. Então mãos à obra; comecei a ensinar a minha frase para os bailarinos. Aos poucos os corpos foram se entendendo. Eu com meu inglês “pas terrible” e eles me respondendo em chinês mesmo. Mas mesmo que nossas linguagens corporais fossem como que quase opostas – busco o sentir, o feeling, e tenho a impressão que eles buscam quebrar barreiras, principalmente as da flexibilidade do corpo – nós conseguimos nos entender. 

Bravos soldados, aprenderam tudo em pouquíssimo tempo. E minha frase, modestamente criada em meu quarto sem eu acreditar que serviria para muita coisa, tomou tamanha amplitude que me bateu aquela sensação gostosa de “bom trabalho”. 

Ok! E agora, como transformar uma simples frase, em uma pequena coreografia? Não fazia a mínima idéia. E como que um milagre, imagens me foram surgindo, e aos poucos, aquela singela frase, foi tomando outra forma. Duos, quartetos… não, Círculo! Melhor ainda, dois círculos! Lembrei das danças circulares que buscam trabalhar a paz. 

E assim meu trabalho foi se transformando, até começar a ter cara de alguma coisa que ainda não sei bem o quê é. E talvez não saberei… mas é, e por isso existe, então basta!

Foi então que consegui começar a entender o quê é afinal que o tal Instituto fazia. Gostei!

Não só gostei como, muito oferecida que sou, pedi para participar do comitê de dança. Não só fui aceita, como me elegeram membro do board (e eu nem sabia o quê isso significaria). Não só me tornei membro, como pouco tempo depois me vi imersa em um turbilhão político que nem vale a pena entrar em detalhes aqui. Não só sobrevivi ao turbilhão como me vi diante de uma nova função: éramos apenas três sobreviventes incumbidas de juntar os pedaços que sobraram, colá-los e trazer de volta à vida.Trabalhamos muito, cada qual em seu lugar no mundo, para concluir nosso objetivo.

Foi no mês passado, durante o último Congresso do ITI na Armênia, que finalmente percebi que tínhamos uma vitória: mais novos membros de doze diferentes países e a dança começando a recuperar o seu lugar nessa rede emaranhada de tantos interesses e diferenças.

Então foi por acaso que eu entrei. Mas não foi por acaso que continuei.

Todo o processo é uma longa história que precisa de um livro inteiro para ser contada. (e diga-se de passagem a feitura do livro já está em andamento). Mas foi durante esses congressos com pessoas vindas de várias partes do mundo que muitas revelações me foram feitas. Revelações de lugares que nunca imaginei um dia estar… Revelações de pessoas que nunca imaginei conhecer… Revelações de sonhos que sequer sabia serem meus… Revelações dadas por conterrâneos, os quais precisei atravessar meio mundo para conhecer… Revelações de quem sou eu nesse mundão afora.

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