Dreams cames true!

rosaPresentes nos são dados todos os dias. Oportunidades de construirmos alguma coisa significativa também. Mas é quando encontramos as pessoas certas que sonhos começam a se tornar realidade.

Sempre tive um certo fascínio por tudo o quê abordava a Segunda Guerra Mundial. Filmes, livros, relatos, fotos… tudo! Mas nunca imaginei que um dia essa curiosidade toda transformaria a minha vida. O processo é mais lento do que imaginei que pudesse ser, e com muito mais curvas do que gostaria que fosse. Mas nada se compara à felicidade de perceber que aos pouquinhos as coisas vão se encaixando, dando vida à uma ideia despretensiosa que começou com algumas poucas palavras escritas em um pedaço de papel. Dois anos atrás participei de uma residência artística no P.O.R.C.H Summer School na fazenda Ponderosa, na Alemanha.  A ideia era que ter workshops de composição coreográfica pela manhã, e que cada participante trabalhasse em uma criação própria o resto do dia para que ao final do processo pudéssemos apresentar os trabalhos em um estúdio em Berlim. Região de divisa entre a Polônia e a Alemanha, a possibilidade de conhecer de perto a história local aflorou essa antiga curiosidade, fascínio, quase obsessão, que deu origem à uma primeira concepção dançada. Mas ainda era pouco. Muito pouco perto do quê poderia ver à ser. Então continuei. De volta ao Brasil, sem nunca desistir da minha vida de artista, procurei as possibilidades de construir minha vida enquanto tal. Encontrei e desencontrei muitas pessoas até chegar à aquelas que tornariam o impossível um pouco mais possível. E foi assim que o espetáculo “Perfume de Rosas”começou a nascer. Previsão de chegada ao mundo: abril/maio de 2015!!!

Perfume de Rosas 

Não faz muito tempo descobri que tinha descendência alemã. Ninguém sabia ao certo de onde da Alemanha, até que minha avó e minha tia-avó viajaram para a Polônia e visitando o museu da Fábrica do Schindler se depararam com uma lista de nomes dos judeus quem ele ajudou, e lá encontraram escrito: Rosner. Esse era o sobrenome de algum de nossos antepassados. Teria sido a pessoa que foi para o Brasil alemã ou polonesa? Teria sido ela judia? Será que ainda tínhamos parentes – mesmo que distantes – que ficaram na Europa? Será que esse possíveis parentes enfrentarem a perseguição nazista? Teria alguém sido preso, torturado, assassinado?  Ainda são tantas as perguntas sem resposta…  E na minha própria visita também achei o nome Rosner estampado em algumas fotos como a Helena Rosner e Manci Rosner. Mas a foto que mais me perturbou foi a de um violinista: Leopold Rosner. Seria dali talvez a minha veia artística? Como saber? Nossa arvore genealógica se perdeu com o passar dos anos. Poderia ser. Como esses pensamentos todos poderiam não passar de devaneios. Mas devaneios tão reais que não parava de pensar neles. Tão reais à ponto que vi me forçada a ter que fazer alguma coisa com aquilo tudo, e foi assim que decidi criar o meu espetáculo. Não para exorcizar demônios, mas para reconstruir para além da minha imaginação tudo o quê sei, tudo o quê vi, tudo o quê vivi e mesmo tudo o quê não vivi, mas que imaginei. “Perfume de Rosas”, esse é o nome do espetáculo que não tem por objetivo afirmar nenhuma verdade, mas compartilhar meu imaginário. Espetáculo que mostra uma mulher judia, presa num campo de concentração.  Uma mulher simples que vivia sua vida feliz cuidando de flores, vendedora de rosas que era, as distribuía sempre com um sorriso no rosto. Vivia sua vida de forma também simples, porem não menos apaixonada. Cercada de pessoas que amava, que a amavam. Doçura, amor, compaixão… tudo isso a compunha numa extrema força, e extrema necessidade de se dividir com as pessoas ao seu redor. Precisava mostrar o quanto todos eram importantes. E era saber que ela também era importante na via dessas pessoas que dava o sentido para sua própria vida.  Cada rosa compartilhada era como um pouco de si que ela deixava, cada sorriso que ganhava era o sentido para continuar cultivando… Não importa quanto tempo passou na simplicidade dessa troca, a única coisa que importava eram as pessoas com quem encontrou, e que de forma ou outra, sempre mudaram a sua vida. Mas nem só de bons encontros somos feitos. As vezes talvez nem possamos nomear como encontro, o certo seria chamar de invasão mesmo. Invasão de espaço, invasão de corpo, invasão da alma. Holocausto! Assim estrondos determinaram por onde poderia andar. Não podia mais distribuir suas rosas pela cidade porque a cidade aos poucos deixou de existir. Seu trabalho não trazia mais sorrisos, nem beleza, nem qualquer alegria. Trabalhava para se manter viva.  Pouco importa o quanto invadiram, ela guardava em si o perfume das rosas. Enquanto pudesse senti-lo, tudo ainda fazia sentido. Enquanto ainda pudesse sentir o perfume das rosas, as lembranças se faziam presentes e um futuro ainda era almejado. Enquanto pudesse sentir o perfume das rosas ainda podia continuar lutando. Enquanto sentisse o perfume das rosas, mesmo com o corpo sucumbindo, a alma se mantinha viva. Enquanto sentisse o perfume das rosas, mesmo com sua alma sendo arrancada brutalmente de seu corpo, o sentido ainda estaria preservado, tão cuidadosamente guardado, que seu corpo se tornaria o canteiro de novas rosas.  Por nada pensava em desistir. Continuou lutando, encontrava forças para seguir em frente em suas doces lembranças, as quais lhe davam esperanças de dias melhores. Em meio a sonhos e realidade, lutou. E mesmo que seu corpo tenha sucumbido aos horrores, sua alma continuava a iluminar para todo o sempre aqueles que pensam em fraquejar. E para quem quiser ver um trechinho dos ensaios, aí está o link:


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3 comentários sobre “Dreams cames true!

  1. José Cacio da Rosa disse:

    A pouco tempo descobri que meu sobre nome Rosa, na verdade era Ross de pessoas vindas da Alemanha e que provavelmente dos Ross tenham se originado da Holanda. Tudo ainda muito vago, muito sombrio. Quem somos? de onde viemos e para onde vamos? No final até mesmo as incertezas nos dão um sentido mais profundo para a vida.

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