Irmão de alma

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Dizem que amigos são a família que a vida nos permitiu escolher… mas as vezes não se escolhe quem vai aparecer, apenas pode-se escolher (ou não) quem vai permanecer. Há pessoas que nunca deveriam ter partido, há aquelas que nunca deveriam ter ficado mas encontrar uma maneira de permanecer e na sua permanência fazem a diferença. Amigos mesmo são aqueles permanentes em toda a sua temporalidade porque nem sempre é possível estar por perto, porque nem sempre os assuntos coincidem, porque nem sempre há o que compartilhar; mas sempre haverá o sentimento mútuo de querer reencontrar e construir memórias para compartilhar. Assim foram esses últimos quase nove anos… Continuar lendo

O Sol, a Torre e a Estrela / The Sun, the Tour and the Star

mapa-1São tantas as imagens ao redor que é impossível ter uma ideia  clara de alguma coisa. Lembranças outras de histórias vividas por uma outra pessoa. Em cada canto é possível ver escolhas conjuntas, escolhas com promessas de durarem uma vida que se propunha inteira. Cada detalhe é o relato de algum momento. Vê-se tudo aos pares, então começa a entender as próprias escolhas feitas ao longo de tantos anos. Continuar lendo

Acasos

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Ela queria ver alguém, encontrar para poder olhar nos olhos e dizer o quanto havia se tornado importante, o quanto de alguma forma era responsável por toda aquela felicidade que sentia. Não pelos  sorrisos, tão pouco pelos sonhos nos quais insiste em aparecer todas as noites. Ela só queria poder olhar nos olhos para dizer: Você me fez sentir viva de novo! Continuar lendo

CUIDADO!!! / WATCH OUT!!!

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Ela olhava pela janela e apesar de ser dia, não era capaz de ver a luz. Tudo se tornou escuro – obscuro – demais. As flores já não tinham mais cheiro e já não sentia mais as águas do riacho escorrendo por entre os dedos do pé. Água límpida, cristalina, com pedras cinzas no fundo. Colecionava pedras… dizem que as flores se vão mas as pedras ficam! E o bruto se torna belo por resistir ao tempo e guardar em si as memórias de tudo o que atravessa a sua alma naquele momento em que enfiou a mão na água e escolheu uma, ou duas, pedras para a sua coleção.

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Isso chama sentimento / That is feeling

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Não é questão de uma hora querer e outra deixar de desejar, o querer não se faz ausente mesmo quando a presença não é possível. Só que entre um e outro existe um cuidado, ou ao menos deveria existir. E esse cuidado deveria ser maior e mais forte do que qualquer desejar, independente de quão sedutora – sedutoramente manipuladora – a loucura possa ser. Esse tipo de desejo é forte, mas dura pouco. Não é o tipo de desejo que quando satisfeito sacia também a alma. Essa é difícil de preencher… não é com calma, tão pouco com tumulto… O que a alma precisa é daquilo que a permita se renovar, se reinventar: pessoas, cores, cheiros, sabores que levem o corpo para muito além de onde a alma está. Continuar lendo

Sempre haverão lugares abandonados para dar vida / There will always be abandoned places to give life

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Se caminha por entre lugares que parece não haver mais vida e se é capaz de perceber os vestígios da história que ainda marca as ruínas, as carcaças, os ferros já tão enferrujados que sequer se sustentam mais. Tudo grita, implora por um olhar, mas o abandono causa isso: indiferença! Continuar lendo

PARA NÃO DESAPARECER/ TO NOT DISAPPEAR

 

 

12194943_10207946003792311_2041515056324946956_oOlho para a neve que cobre o meu quintal de branco, apesar do sol e do céu azul, sem nuvens, limpo, como se convidasse a navegar na imensidão e penso nas distâncias. Distância entre uma janela e outra, entre um coração e outro, entre corpos, distância entre sonhos. Vejo a distância entre as coisas, percebo a distância entre as pessoas. Nada é tão perto quando se deseja, nem tão longe quanto se imagina. Continuar lendo

Ser uma outra mulher / Be another woman

IMG_4555.JPGEla já não tinha mais esperanças de um dia conseguir ser feliz. Desconhecia a felicidade assim como desconhecia os seus mais íntimos desejos. Ficava a olhar pela janela esperando que o sol que se punha atrás das montanhas pudesse indicar algum caminho. Orava todas as noites pedindo para que os ventos afastassem dela tudo o que a impedia de sorrir, pedia aos raios e trovões que a protegessem. Sentia o vento em seu rosto e saia correndo pela tempestade: é preciso sentir a alma sendo lavada! Chorava de felicidade, tristeza, angústia e euforia tudo ao mesmo tempo, porque amava demais… e era amada de menos. Epahei Iansã que apazigua as agonias quando com seus ventos fortes leva para longe tudo o que é possível odiar. Ventos para inovar, criar, mobilizar… Orixá forte capaz de amar como se não houvesse amanhã. Continuar lendo

Os invernos que temos que passar / The winters we have to go through

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Há dois eu já havia começado a minha jornada rumo à Amsterdam, só não tinha sabedoria ou sensibilidade o suficiente para perceber, naquele momento, o que este lugar guardava para mim. Lembro-me dos dias frios e das manhãs rosadas, com a mínima luz e o máximo dos ventos, foi quando comecei a andar de bicicleta no inverno, a comer space cake e a rejeitar alguns muitos programas turísticos. Interessava-me mais pela vida nela mesma. Um ano e meio depois voltei e me reapaixonei. Perdia-me por entre as águas e prédios, encharquei-me na chuva apesar do verão. Brasileirei muitas noites para não me esquecer de onde venho. Descobri uma outra forma de viver, talvez mais leve e também mais segura, porém mais solitária. Naquele momento a solidão ainda era um peso, não suportava as paredes dos meus sonhos e tampouco me permitia destruí-las. Abria a porta e as deixava reinando no espaço que eu deveria dominar. Para conseguir respirar corria por entre folhas verdes sem perceber que estavam lá.

Há sempre alguém para te dizer quem você é, comigo não foi diferente. Continuar lendo